Empregados da Caixa protestam em Curitiba por mais valorização e garantias para a categoria
No sexto dia de greve, nesta terça-feira (15 de setembro), empregados da Caixa se reuniram para uma manifestação em frente à Agência Carlos Gomes, no Centro de Curitiba. O protesto, que atraiu também aposentados e representantes de cargos gerenciais, teve o objetivo de paralisar 100% das agências da região e demonstrar a indignação com a postura intransigente do banco diante das reivindicações da categoria.
A mobilização nacional, deflagrada após a categoria rejeitar as propostas da instituição em assembleia na última sexta-feira (11 de setembro), ganhou força diante da ameaça de retirada de direitos pelo banco e de dissídio coletivo. No entanto, a forte adesão à greve forçou a Caixa a recuar no domingo, garantindo a prorrogação dos benefícios vigentes, a suspensão de medidas restritivas e a reabertura do diálogo. As atividades devem continuar paralisadas nesta quarta-feira (16), quando a Caixa marcou a retomada de negociação com os representantes dos trabalhadores.
Entre os pontos principais de reivindicação estão o custeio do Saúde Caixa e a transparência nas premiações do SuperCaixa. O presidente da APCEF-PR, Jesse Krieger, ressalta que o banco ainda não apresentou propostas que sejam satisfatórias e mantenham conquistas obtidas graças ao esforço dos empregados.
"O ato é uma demonstração da união entre os empregados ativos e os aposentados, pois a Caixa ainda não apresentou propostas satisfatórias. A questão do Saúde Caixa é um direito que não pode sofrer retrocessos, como o escalonamento por faixa etária e a mudança na divisão do custeio (70/30). Também há necessidade de reformulação do programa SuperCaixa, com uma metodologia de premiação mais transparente, uma vez que muitos colaboradores, após realizarem as vendas, não recebem as bonificações por questões burocráticas", afirma.
O vice-presidente da APCEF-PR, José Megume Tanaka, destacou a presença dos aposentados na manifestação, que atenderam ao chamado às pressas e reforçaram a força do movimento. “Não podemos deixar a Caixa quebrar o pacto geracional e o mutualismo do Saúde Caixa, que é uma bandeira dos empregados da ativa e aposentados. Contamos com vocês nessa luta e contem com a gente na APCEF-PR”, destacou.
Para a presidente do Sindicato dos Bancários e Financiários de Curitiba e Região, Cristiane Zacarias, a forte adesão dos empregados é um bom sinal, mas é preciso trazer cada vez mais colegas para o ato. "A mobilização em Curitiba é exemplar e demonstra a outras categorias que a nossa postura é de firmeza e coragem diante das negociações. Parabenizo a todos pela organização e pela continuidade desta greve. Reforço a importância do compromisso de dialogar com os colegas que ainda não aderiram ao movimento, convencendo-os a somarem forças conosco. O fortalecimento da nossa posição na mesa de negociações é vital", reforça.

Nenhum direito a menos!
A representante do Paraná nas negociações com a Caixa, Samanta Almeida, revela que a postura do banco não demonstra abertura suficiente para o diálogo. Para ela, o esforço coletivo da categoria e suas representações foi fundamental para provocar o retorno à mesa de negociação.
“Esperávamos outra postura da atual gestão; contudo, o que observamos nas mesas de negociação não foi diálogo, mas imposição. Graças à intervenção dos sindicatos, das entidades representativas e de parlamentares, o banco recuou e vamos novamente para a mesa de negociação. Por isso, precisamos manter a unidade e a firmeza na greve. Exigimos respeito, pois somos o braço do governo na execução de políticas sociais e não permitiremos que o banco seja apenas uma máquina de lucro", aponta.
Para o deputado federal Tadeu Veneri, a questão do Saúde Caixa é uma das mais sensíveis e deve ser tratada com mais seriedade pelo banco nas negociações. "É imperativo que a Caixa tome ciência da realidade enfrentada em todo o país. O fracionamento da proposta, deixando a questão do Saúde Caixa à margem, não é viável. Não podemos aceitar que benefícios conquistados ao longo de décadas sejam extintos abruptamente. Com base em experiências anteriores que acompanhei, problemas complexos de saúde foram solucionados por meio de mesas de negociação", pontua.
A esperança de melhores condições
Os empregados da Caixa se mobilizam na esperança de que seus direitos sejam protegidos e o trabalho, mais valorizado. Rosângela Beatriz da Costa, que está na ativa, acredita que a força da manifestação é fundamental para buscar um acordo que atenda às reivindicações da categoria. "Essa mobilização é imprescindível para pressionar o banco. Até agora, só vimos uma Caixa arbitrária e a situação só chegou a esse ponto por causa da sua intransigência. Se não formos às ruas, não teremos uma boa negociação", comenta.
No lado dos aposentados, o grito pela manutenção de conquistas ganha reforço. Para Carlos Bilski, é fundamental manter os direitos adquiridos e contar com o apoio daqueles que já se aposentaram, uma vez que o Saúde Caixa é um benefício de todos. Exemplo dessa dedicação, Armando Carlos Durski, de 98 anos, esteve presente no ato em Curitiba e afirmou que o fechamento total das agências chamará a atenção da população e da direção do banco. “A Caixa tem dinheiro porque há muitos clientes com conta em suas agências. Se não fosse o trabalho dos empregados, o banco não existiria”.


