Caixa ameaça retirar direitos após empregados rejeitarem proposta e manterem mobilização
A rejeição da proposta apresentada pela Caixa em diversas bases sindicais, nas assembleias realizadas nesta sexta-feira (11), reforçou a insatisfação dos empregados com os rumos das negociações do Acordo Coletivo de Trabalho (ACT).
Em resposta à decisão da categoria, a direção da Caixa comunicou às unidades que pretende deixar de aplicar, após o fim da vigência dos acordos anteriores, uma série de cláusulas e benefícios conquistados pelos trabalhadores.
A postura da direção da Caixa expõe uma escolha preocupante: em vez de buscar uma solução negociada para as reivindicações dos empregados e avançar em melhores condições de trabalho e saúde, o banco opta por retirar direitos e impor perdas à categoria.
Em comunicado enviado às unidades, a Caixa afirma que os ACTs 2024/2026 perderam a vigência em 31 de agosto e que, diante da rejeição da proposta apresentada nas assembleias, as condições anteriormente mantidas de forma provisória deixam de produzir efeitos.
Na prática, a medida anunciada pela Caixa atinge direitos e benefícios construídos ao longo de anos de negociação coletiva. Entre os impactos apontados pelo próprio banco estão a não implementação de reajustes salariais, reajustes de benefícios e pagamento da Participação nos Lucros e Resultados (PLR), conforme previsto na proposta. A Caixa também afirma que benefícios como o auxílio-refeição e o auxílio-cesta-alimentação deixam de ter validade com o encerramento dos instrumentos coletivos.
Para o presidente da Fenae, Sergio Takemoto, a entidade repudia o comunicado da Caixa. “A Fenae rejeita totalmente as medidas anunciadas pela Caixa, que ameaçam direitos e benefícios dos trabalhadores e revelam a incapacidade da direção do banco de construir soluções por meio do diálogo e da negociação coletiva”, afirma.
Saúde Caixa
Um dos pontos mais graves é a situação do Saúde Caixa.
Segundo o comunicado, a cobertura do plano será mantida por apenas 60 dias, observadas as regras da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS). A Caixa afirma que a medida busca garantir a continuidade da assistência durante o período de transição.
Para o presidente da Fenae, Sergio Takemoto, a questão não pode ser tratada simplesmente como um ajuste administrativo. “O Saúde Caixa é uma conquista histórica da categoria e representa uma das principais garantias de assistência à saúde dos trabalhadores e seus familiares”, defende.
A proposta apresentada pela Caixa já havia provocado forte reação durante as negociações, especialmente pelas mudanças relacionadas ao plano.
“Defendemos avanços que assegurem a sustentabilidade do Saúde Caixa sem transferir para os trabalhadores o peso dos problemas de custeio”, finaliza Takemoto.

